terça-feira, 18 de setembro de 2012

Ogum cria a terra





Olodumare resolveu criar o mundo.
Seus filhos foram convocados para ajudar nessa tarefa,
cada qual levou consigo o que era necessário:
jóias, dinheiro, tecidos…
A Ogum coube levar uma espada e um saco de terra preta.
Carregando essas coisas, Ogum saiu caminhando
em direção ao lugar onde o mundo havia de ser criado.
Quando se cansou, foi dormir no alto de uma palmeira.
Apanhou algumas folhas de mariô para cobrir seu corpo
e defender-se de insetos que o incomodavam.
A chuva chegou e não parou mais.
Ogum abriu o saco que trazia e, do alto da palmeira,
espalhou a terra preta que havia nele.
A terra espalhou-se, fazendo surgir uma lagoa.
Do fundo da lagoa, da lama do fundo, apareceu Nanã.
Ogum e Nanã saíram criando o mundo.
Ogum construiu casas, fez plantações
e todos ouviram falar de seu reino próspero.
Um dia seus irmãos vieram conhecer seu reino
e tentaram dividí-lo entre si.
Aconselhado por Nanã,
Ogum apanhou sua espada mágica
e derrotou todo aquele que tentava usurpar o que era seu

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Obaluaê conquista o Daomé



Um dia Obaluaiyê saiu com seus guerreiros, Ia em direção à terra dos mahis, no Daomé. Obaluaiyê era conhecido como um guerreiro sanguinário, atingindo a todos com as pestes, quando estes se opunham a seus desejos.Os habitantes do lugar, quando souberam de sua chegada, foram em busca de ajuda de um adivinho, ele recomendou que fizessem oferendas, com muita pipoca, inhame
pilado, dendê e todas as comidas de que o guerreiro gostasse. "Pipocas acalmam Obaluaiyê," Disse que seria aconselhável que todos se prostrassem diante dele, assim o fizeram.“Totô hum! Totô hum! Atotô! Atotô!”“Respeito! Silêncio!”Obaluaiyê, satisfeito com a sujeição daquele povo, poupou-os e declamou que a partir daquele dia viveria naquele reino, assim o fez e em pouco tempo o país tornou-se próspero e rico.Obaluaiyê recebeu nas terras mahis o nome de Sapatá, mesmo assim era preferível chamá-lo de Ainon, senhor das Terras, ou Jeholu, senhor das pérolas.Esses diferentes nomes foram adoptados por famílias importantes, mas infelizmente provocaram desentendimentos entre elas e os reis do Daomé. Muitas vezes as famílias de Sapatá foram expulsas do reino e, em represália, muitos reis daomeanos morreram de varíola.Tanta discórdia provocou seu nome, que hoje ninguém sabe mais qual o melhor nome para se chamar Obaluaiyê.

Obá




Orixá do rio Níger, terceira mulher de Xangô. Orixá, embora feminina, temida, forte, energética, considerada mais forte que muitos Orixás masculinos. OBÁ Divindade feminina, guerreira que às vezes é também citada como caçadora. Irmã de Óya (Iansã). Esposa de Ogum e, posteriormente, terceira e mais velha mulher de Xangô.

O Orixá Obá é pouco compreendido e muitas vezes confundido com Oxum ou Oyá, mas, é um Orixá diferente que apenas escolhe filhos do sexo feminino.

Suas filhas, em geral, possuem grande dificuldade na vida afetiva.

Bastante conhecida pelo fato de ter seguido um conselho de Oxum e decepado a própria orelha para preparar um ensopado para o marido na esperança de que isto iria fazê-lo mais apaixonado por ela. Quando manifestada, esconde o defeito com a mão. Seus símbolos são uma espada (idà) e um arco e flecha (ofá). Sua saudação é OBA XÍ ou ÖBA XIRE.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Obá provoca a morte do cavalo de Xangô





Xangô era um conquistador de terras e de mulheres, vivia sempre de um lugar para o outro. Em Cossô fez-se rei e casou-se com Obá. Obá era sua primeira e mais importante esposa, Obá passava o dia cuidando da casa de Xangô, moía a pimenta, cozinhava e deixava tudo limpo.
Xangô era um conquistador de terras e de mulheres. Uma vez Xangô viu Oyá lavando roupa
na beira do rio e dela se enamorou perdidamente. Com Oiá se casou, mas Xangô era um conquistador de terra e de mulheres e logo se casou de novo.
Oxum foi a terceira mulher. As três viviam às turras pelo amor do rei, para deixar Xangô feliz, Obá presenteou-lhe um cavalo branco, Xangô gostou muito do cavalo, Tempos depois Xangô saiu para guerrear levando Oiá consigo, seis meses se passaram e Xangô continuava longe, Obá estava desesperada e foi consultar Orunmilá, Orunmilá aconselhou Obá a oferecer em sacrifício um iruquerê, espanta-mosca feito com rabo de um cavalo, mandou pôr o iruquerê no teto da casa.
Para fazer a oferta prescrita pelo oráculo, Obá encomendou a Eleguá um rabo de cavalo, e Eleguá induzido por Oxum, mais que depressa cortou o rabo do cavalo branco de Xangô, mas não cortou somente os pêlos e sim a cauda toda e o cavalo sangrou até morrer.
Quando Xangô voltou da guerra, procurou o cavalo e não encontrou, deparou então com o iruquerê amarrado no teto da casa e reconheceu o rabo do cavalo desaparecido, soube pelas outras mulheres da oferenda feita pela primeira esposa.
Xangô ficou irado e mais uma vez repudiou Obá

Nanã proíbe instrumentos de metal no seu culto




A rivalidade entre Nanã Burucu e Ogum data de tempos. Ogum, o ferreiro guerreiro, era o proprietário de todos os metais. Eram de Ogum os instrumentos de ferro e aço. Por isso era tão considerado entre os orixás, pois dele todas as outras divindades dependiam.
Sem a licença de Ogum não havia sacrifícios; sem sacrifício não havia orixá. Ogum é o Oluobé
, o Senhor da Faca. Todos os orixás o reverenciavam. Mesmo antes de comer pediam licença a ele pelo uso da faca, o obé com que se abatiam os animais e se preparava a comida sacrificial. Contrariada com essa precedência dada a Ogum, Nanã disse que não precisava de Ogum para nada, pois se julgava mais importantes do que ele.
“Quero ver como vais comer, sem faca para matar os animais”, disse Ogum. Ela aceitou o desafio e nunca mais usou a faca. Foi sua decisão que, no futuro, nenhum de seus seguidores se utilizaria de objetos de metal para qualquer cerimônia em seu louvor.
Que os sacrifícios feitos a ela fossem feitos sem a faca, sem precisar da licença de Ogum.