quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Yemanja Oguntê


É a quarta Yemanjá, quer dizer aquela que contém Ogum. Esposa de Ogum Alagbedé, mãe de Ogum Akorô Onigbé, após a retirada de Ogum Alagbedé para a cidade de Ifé Irê tornou-se esposa de Oxaguiã, mãe de Ogunjá e Oxóssi Inle. Tem ligação com Ogum, Oxaguiã e Oxóssi, vive perto das praias no encontro das águas com as pedras, guardiã dos arrecifes, traz na cintura um facão e todas as ferramentas de Ogum. É a guerreira do castelo de Olokun (que é a grande ancestral mãe de todas as Yemanjá). Porta a espada da morte, o alfanje, por isso também tem o poder de ceifar a vida. Só sai á noite, sendo considerada a Yemanjá da Noite, Senhora das Sete Estrelas e é considerada violenta e severa. Senhora das águas que ninguém segura, as águas violentas, que saem arrastando tudo, guerreira como Yansã, Dona do canto mais alto e profundo, diz à lenda que Ogunté chamava Ogum Alagbedé, com um canto agudo, que podia ser ouvido de qualquer parte.

Porque Jogamos Agua na rua



A misteriosa Religião dos Òrìsàs é norteada de costumes e dogmas, um deles é aquilo que chamamos de “despachar a rua”, que condiz em jogar três punhados de água, antes de entrar ou sair de casa. Mas porque fazemos isso? Primeiramente é importante recordarmos da importância da água na nossa cultura. No Candomblé não se faz nada sem água, ela que umidifica, resfria e fertiliza. Nós mesmos, antes de nascermos, no útero de nossa mãe, ficamos o período gestacional na água do ventre materno, somente isso já seria o suficiente para sermos gratos à água diariamente, afinal, sem ela não existiríamos.
Há muitos momentos em que despachamos a porta. As ocasiões mais comuns são ao acordamos, ao sairmos de casa e ao retornarmos para casa. Mas não são somente nesses momentos. Por exemplo, há determinadas cantigas que retratam um momento de muita turbulência na vida do Òrìsà, podendo despertar sua cólera se entoadas em momentos inoportunos. Nessas situações, o Babalòrìsà ou Ìyálòrìsà, sempre atento, solicita à uma antiga egbon, que jogue água à rua, apaziguando o Òrìsà que foi recordado de um momento adverso em sua vida no Aye.
Em suma, em todos esses momentos, o objetivo é apaziguar. Há uma frase em yorùbá que diz “Somente a Água Fresca Apazigua o Calor da Terra”. Ao acordamos, despachamos a porta, recitando palavras que tem por objetivo, pedir que aquele dia seja de tranqüilidade e de harmonia. Quando estamos saindo de casa, jogamos água à rua, rogando à Èsù Oná (O Senhor dos Caminhos), que aquela água, apazigúe os caminhos que vamos percorrer e que, sobretudo, não nos deparemos com situações que nos exponha a riscos.
Ao entrar na Casa de Candomblé, por exemplo, despachamos a rua, pedindo licença aos Donos da Porteira, reverenciando-os sempre. Em muitas casas de Candomblé a porteira está sempre aberta, isso não significa que não há dono, muito pelo contrário. Nesse aspecto, pedimos licença (Ago) aos Donos da Porteira, mostrando nosso respeito e, pedindo que a água resfrie a terra, até o momento em que, vamos nos purificar por meio do Omi Ero ou Omi Agbo, para poder então, partilhar do convívio no Terreiro de Asè.
Por isso, jamais se esqueçam, apazigúe a terra antes de caminhar sobre ela.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Xangô Aganju



Aganju ko má nje lekan Tóbi òrìsà.
Falem dos meus defeitos, mas não me tirem as qualidades sou filho de xangô, meu pai e de xangô meu avô era de xangô e a esse orixá que devo tudo o que tenho em minha vida, pois sei que sou filho de uma oba. Senhor que luta por nós luta por comida, escravos e cavalos senhor que luta na rua. Luta por alimentos e carne de ovelha. Rei que se acompanha dos mensageiros senhor que luta pela existência do bem alimenta e ajuda viver melhor guardando na luta por seu bará trazendo escravos e alimentos na companhia de iroko. Oranminhã nos deu o melhor gritamos felizes e dançamos é o meu senhor Oranminhã nos deu o melhor saudamos o pai xangô é o melhor. Xangô satisfaz-se em esparramar-se e subitamente ele pode bloquear o rio,o rei pode fazê-lo, ele consulta ifá,o pai do céu, ele é nosso pai; pai, deseje-nos boa sorte. Ele será sempre forte xangô será sempre forte. Pois também amo a jurema sagrada e todos os seus encantos, que jurema continue abençoando meus passos e de pai da minha mãe meu padrinho minha madrinha. Meus filhos e afilhados irmãos sobrinhos e todos meus amigos também e meus inimigos. Eu sei que sem a jurema eu nada seria. Não sou, nem quero ser perfeito sou o que sou. Pois fala de mim e fácil difícil e ser quem sou, por mais que falem de min não se esqueçam que sou júnior de xangô tambem junior do nego josé philintra. pois Minguem atira pedras em arvores que não der frutos. Pois jamais minguem apagara meu brilho. para meus inimigos eu canto assim Quem fala de mim por detrás não abate meu valor sim senhor eu pai sim senhor e inveja de mim nada, mas.

sábado, 25 de agosto de 2012

Comidas de Santo




Comida  de: 
ESU  Pipocas, farofa de farinha de dendê, farinha com pinga, farinha com mel, bife no azeite de dendê, bofe, figado, coração de boi, acaçá amarelo, carne assada, vinho e mel.
OGUM Inhame, feijoada (em algumas nações), figado, coração de boi, feijão fradinho, feijão preto, bagre com molho de camarão.
IANSA Acarajé redondo frito no dendê, rodelas de inhame cozido refogado com dendê e cebola, amalá, feijão fradinho.
SANGO Amalá, acarajé longos, rabada com camarão seco, cebola ralada, quiabos e azeite de dendê, caruru.
OBA  Acarajé, amalá, abara, ovos.
OSOSI Axoxo (milho de canjica vermelha cozida enfeitado com fatias de coco), frutas, espiga de milho cozido, pamonha
LOGUM EDE Axoxo, omolucum, inhame
OSAIN   Feijão preto, farofa, mel e fumo
OBALUAIE / OMULU Aberem, pipocas, feijão preto, feijão fradinho, bisteca de porco.
OSUMARE Aberem, feijão com milho, feijão fradinho com ovos, inhame
OSUN Omolucum, xinxim de galinha, Apeté, ovos cozidos, milho com coco.
YEMANJA Ebô de milho branco com azeite doce ou mel, peixe cozido com pirão de farinha de mandioca, arroz cozido doce enfeitado com fatias de maça, manjar de maizena, canjica cozida branca e refogada com camarões e cebola com azeite de oliva
NANA  Acaça, arroz, inhame, feijão fradinho, omolucum de feijão branco enfeitado com ovos cozidos cortados ao meio.
OSALA Tudo branco, Ebô de milho branco sem sal,
(canjica branca), clara de ovos, Acaçá branco, rodelas de inhame cozido com mel.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Vodun Dãn




Dan (Serpente) para nós, pertencentes a nação Jeje Mahi, é considerado o  maior Vodun dentro do culto. A família de Dan  é composta por muitos Voduns, todos eles com sua importância para os povos Fon. Dizem os mais antigos que, existem 3 reis e patronos da nação Jeje Mahi: Dàn Gbé Seén (Bessém), Sògbò e Azansú. Assim como Oxóssi tem sua importância para o Ketu, e Kitembo tem sua importância para Angola, esses três reis seriam a grande potência da nação, sendo reverenciados e cultuados por todos os filhos, independentes de seus voduns. Dentre esses três reis, se destaca Bessém por ser um dos primeiros deuses a existir e dele tudo nascer. Bessém é a serpente da vida, aquela cujo morder a própria cauda deu origem ao movimento de rotação e translação da terra e a partir daí, sendo possível a existência de vida no planeta. Os patriarcas da família de Dan é o casal Áídò Wèdò e Dàn gbállà. Àídò Wèdò seria a serpente arco-íris e Dàn gbállà seria seu reflexo nas águas. Logo Dan seria a origem de tudo no planeta, sendo um dos responsáveis por sua existência e por sua habitação. Dentro da nação Jeje, Dan é o maior vodun, e a serpente, seu maior símbolo, sendo a representação viva de seu poder. A serpente representa o movimento e o dinamismo, uma vez que consegue se locomover com extrema facilidade e habilidade sem ser provida de patas ou outros membros; representa também a transformação, a evolução e a metamorfose, uma vez que troca de pele e se renova com frequência para poder crescer e se expandir; além de ser uma hábil caçadora e algumas espécies serem detentoras de poderosos venenos, mostrando seu poder e ao mesmo tempo exigindo cautela e respeito por parte dos demais animais e até mesmo nós seres humanos. Dan não é só representado pela serpente mas também pelo arco-íris que da mesma forma, possui grande significado para os dahomeanos uma vez que, sua presença nos céus é presságio de que não irá mais chover além de encantar pela sua beleza. No antigo Dahomey, são inúmeras as lendas que mistificam a natureza dessa divindade, sempre enaltecendo sua grandeza, sua realeza e seu poder. Muitos são os voduns que compõe a família Dan, sendo Bessém (também chamado de Bafono) o mais conhecido e louvado, sendo seu nome sinônimo da própria Dan. Destacam-se também Frekwén ou Kwénkwén, Ojikún ou Dan Jikún, Bossá ou Bossalabê e seu irmão gêmeo Bosukó, Dan Ikó ou Dankó, Azannadô ou Azoannadô, dentre outros, cada um com sua particularidade e mitos. Na iniciação de um vodun Dan o sacerdote tem todo cuidado para inciar o vodun em sua fase humana pois, sua fase serpente é muito perigosa e incapaz de entender os sentimentos, sendo apenas invocada em rituais e determinados atos. A grande festividade para esse vodun é o Gboitá, ritual realizado no início do ano e que envolve todos os demais voduns, cada um recebendo as oferendas cabíveis e sacrifícios em seus Atisás (árvores sagradas com assentos). Após o Zandró, todos os voduns são invocados e já saem vestidos no arrebate, não existindo roda para invocá-los na sala. Seu presente, o gbòitá é carregado por Ogun e depois posto aos seus pés, iniciando assim o ano e agradecendo pela vida e por todo seu poder. O àndè (poço) é seu principal símbolo e é indispensável dentro de uma casa de Jeje. O poço simboliza a abundância (uma vez que enquanto tiver poço, se tem água e nunca faltará), além de representar um portal, entre o mundo subterrâneo e o nosso mundo, extraindo água do interior da terra, unindo de certa forma, ambos os elementos. Dan simboliza a riqueza, a prosperidade e a abundância. Une o macho e a fêmea, sendo sempre cultuado em casal e recebendo como sacrifícios animais de ambos os sexos. Dizem os mais antigos que serpente nunca anda só, onde uma está a outra está por perto, a espreita. Para os iorubás Dan é chamado de Òsúmárè, deixando de exercer função de rei para ser súdito de Xangô (divindade do fogo e trovões). Segundo os mitos iorubás, Oxumaré leva água para o castelo de Xangô, no alto das nuvens, representando a devolução, trazendo água da terra para o céu e vice-versa. Essa transformação de Rei para súdito se dá pelo fato de conflitos entre povos Dahomeanos e povos iorubás, onde ambos sempre tentavam invadir suas cidades e escravizar seus habitantes. O fato é que Dahomey e demais povos iorubás sempre guerrearam, gerando uma aglutinação de cultos e distorção de fatos. Dan é o grande Deus da transformação, senhor da vidência juntamente com Ifá (vodun similar ao orixá Òrúnmíllá dos povos iorubás) englobando tudo o que se diz respeito ao presente, passado e futuro. Representa a sorte, a versatilidade e o conhecimento, sendo a divindade do raciocínio e da expansão. Tem como colares o brájá (feito de búzios devidamente encaixados lembrando escamas de serpente, representando a realeza e a riqueza) e o húnjèvè, sendo este dado apenas aqueles cujo processo de iniciação está completo, com suas obrigações pagas, representando a maior idade e sendo o único colar que vai com o neófito mesmo após sua morte, como se fosse uma espécie de “senha” para ser recebido no mundo dos Voduns. Seu simbolo é o Draká, seta adornada com duas serpentes mas, não é errado vermos alguns voduns Dàn com outras insígnias em suas mãos tais como Adaga, òfá, garras, ágbégbé. variando conforme conhecimento do sacerdote e caminhos do Vodun. Sua vestimenta varia conforme vodun, mas sua cor preferida é o branco, por simbolizar a união de todas as cores.