domingo, 9 de setembro de 2012

Egun





O Egun é a morte que volta à terra em forma espiritual e visível aos olhos dos vivos. Ele "nasce" através de ritos que sua comunidade elabora e pelas mãos dos ojé (sacerdotes) munidos de um instrumento invocatório, um bastão chamado ixan, que, quando tocado na terra por três vezes e acompanhado de palavras e gestos rituais, faz com que a "morte se torne vida", e o Egungun ancestral individualizado está de novo "vivo".

A aparição dos Eguns é cercada de total mistério, diferente do culto aos Orixás, em que o transe acontece durante as cerimônias públicas, perante olhares profanos, fiéis e iniciados. O Egungun simplesmente surge no salão, causando impacto visual e usando a surpresa como rito. Apresenta-se com uma forma corporal humana totalmente recoberta por uma roupa de tiras multicoloridas, que caem da parte superior da cabeça formando uma grande massa de panos, da qual não se vê nenhum vestígio do que é ou de quem está sob a roupa. Fala com uma voz gutural inumana, rouca, ou às vezes aguda, metálica e estridente — característica de Egun, chamada de séégí ou sé, e que está relacionada com a voz do macaco marrom, chamado ijimerê na Nigéria (veja os mitos de Oyá).

As tradições religiosas dizem que sob a roupa está somente a energia do ancestral; outras correntes já afirmam estar sob os panos algum mariwo (iniciado no culto de Egun) sob transe mediúnico. Mas, contradizendo a lei do culto, os mariwo não podem cair em transe, de qualquer tipo que seja. Pelo sim ou pelo não, Egun está entre os vivos, e não se pode negar sua presença, energética ou mediúnica, pois as roupas ali estão e isto é Egun.

A roupa do Egun — chamada de eku na Nigéria ou opá na Bahia , ou o Egungun propriamente dito, é altamente sacra ou sacrossanta e, por dogma, nenhum humano pode tocá-la. Todos os mariwo usam o ixan para controlar a "morte", ali representada pelos Eguns. Eles e a assistência não devem tocar-se, pois, como é dito nas falas populares dessas comunidades, a pessoa que for tocada por Egun se tornará um assombrado", e o perigo a rondará. Ela então deverá passar por vários ritos de purificação para afastar os perigos de doença ou, talvez, a própria morte.

Ora, o Egun é a materialização da morte sob as tiras de pano, e o contato, ainda que um simples esbarrão nessas tiras, é prejudicial.

Bará aprende a trabalhar com Ogum


Bará era 1 menino muito esperto. Todo mundo tinha receio de suas artimanhas. Ele enganava todo mundo, keria sempre tirar sua vantagem. Sua mãe sempre o repreendia e o amarrava no portão da casa pra ele nao ir à rua fazer sua trakinagem. Bará ficava ali, na porta, na entrada, esperando alguém se aproximar e então pedia seus favores, fazia suas artes e ali se divertia. Só deixava passar quem lhe desse alguma coisa.
Sua mãe então chamou Ogum e disse a ele para ficar junto de Bará e dele tomar conta. Ogum era responsável e trabalhador. Ogum Avanagã sempre ficou morando com Bará. Juntos eles moram na porta da casa e se dão bem.
Bará continuou um menino danado, mas com Ogum aprendeu a trabalhar. Agora ele ainda se diverte com todos, mas para todos faz seu trabalho.
Todos procuram Bará para alguma coisa. Todo mundo precisa dos favores de Bará.

Saudação Aos Orixas e Seus Siqnificados



Exu
Kóbà Láryè
aquele que é muito falante
Ogun
Pàtakorí
exterminador ou cortador de ori ou cabeça
Oxossy
Ará Unse Kòke Ode
guardador do corpo e caçador
Xangô
Kawó-Kábièsilé
venham ver o Rei descer sobre a terra
Oxum
Orà Yè Yé Ofyderímàn
salve mãezinha doce, muito doce
Yansã ou Oyá
Èpàrèi
venha, meu servo
Omolu e Obaluayê
Atótóo
silêncio
Yemanjá
Èru Ìyá
senhora do cavalo marinho
Oxumaré
Arrum Bobo(termo Jeje)
senhor de águas supremas
Nanã
Sálùbá
pantaneira (em alusão aos pântanos de Nanã)
Oxalá
Esè Epa Bàbá
você faz, obrigado Pai !!!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Prece a Yansã \ Oya


ÓH, SOBERANA
RAINHA GUERREIRA,
DEUSA DA VENTANIA
DONA DOS BAMBUZAIS
AMAZONA PODEROSA
QUE VIAJA MONTADA
GALOPANDO SOBRE
UM RAIO BRILHANTE
EM NOITE DE TEMPESTADE
ILUMINANDO TODA A TERRA
OH,GRANDE MÃE
SOBERANA,HUMILDE
AQUELA QUE
CONDUZ OS FILHOS
DESMATERIALIZADOS
AO ENCONTRO DO
NOSSO GRANDE E
SUBLIME CRIADOR.
OH, GRANDE MÃE
NAO DEIXE QUE O
VENDAVAL DA FOME
PAIRE SOBRE OS
NOSSO LARES.
OH,GRANDE MÃE
NÃO DEIXE QUE O
FURACÃO DA INVEJA
PAIRE SOBRE AS
NOSSAS CASAS.
MANTENHA MÃE,
MANTENHA SEUS
FILHOS UNIDOS
AINDA QUE SEJA POR
UMA FORTE CORRENTE
FEITA COM
ELOS DE FOGO
POREM,MÃE
UM FOGO TÃO SANTO,
UM FOGO TÃO BENDITO
QUE O AMOR
QUE A BONDADE E
A ESPIRITUALDADE,
MÃE, SEJA
CONSTANTE NO MEU E
NO CORAÇAO DE TODOS
OS SEU FILHOS.
EPARREIO

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Vocabulario usual Angola-Congo



Começo a publicar um vocabulário usual Angola / Kikongo mensal, para que as pessoas tenham chance de aprender algumas palavras, para um uso doméstico do dia a dia em suas casas de cadomblé, espero que apreciem!

1ª Parte: De “A” ao “J”.
Angolense = designa as pessoas de Angola
Biji = jumento, burro
Bixila!  = boa-viagem!
Bulu = céu
Bungo   =  feitiço para o bem
Diala   = homem
Dibangulango =  guisado de quiabo (Nzazi).
Dibilu Lemba = a volta da procissão.
Dibuba = cachoeira
Diembe = pombo
Dihonjo  =  banana.
Dikala = carvão
Dikanga = longe
Dikanu = boca
Dikelengu = garganta
Dikende = massa de feijão fradinho embrulhada na folha de bananeira.
Dilombe-dia-Nzambi = local consagrado a Lemba, Nzambi.
Dilonga = prato, bacia.
Dilunga = instrumento sonoro por meio do qual se invocam os espíritos (ex.: Adjá, sere, etc.)
Dimi = língua
Dionga = flecha, lança
Disanga  = pote, porrão.
Disu = olho
Ditemu = enxada
Dítui  = orelha
Diunda = arco
Divumu  =  barriga
Dixisa  = esteira
Eie = tu
Eme = eu
Ene = eles, elas
Enu = vós
Etu = nós
Etungi = coxa
Éue = sim
Exobo = parte dos animais que, após preparo específico, vão para o ofertório (Kongo)
Filesuku = verduras
Fobia = mole
Fongana = assentamento
Fumpa = milho vermelho, cozido  ou torrado, enfeitado com Kamusoso ( cipó-chumbo).
Fundumuka! = levanta!
Guriankasi  = tio, sobrinho
Hala  =  caranguejo
Hamua  =  mosquito
Hima   =   macaco
Hombo = cabrito
Hongolo = arco-íris
Hongolo matono = especialista nas  pinturas corporais.
Hoxi = leão
Iari = dois
Ímbia = vaso de boca larga, panela.
Imbiri  = cantador (Kongo)
Imbua  = cachorro
Inaka = cabra
Inji = mosca
Inzo = casa
Inzo Musambu = a casa de Kanduambele (candomblé)
Irima  = legumes
Itumbu = remédio mágico
Ivua  = nove
Ixi = terra
Jíku = fogareiro
Jina = piolho
Jindandu  =  a família…..

domingo, 2 de setembro de 2012

Áyrá ou Airá


Normalmente confundido com Xangô, no Brasil, na verdade é uma divindade à parte, que não pertence à família de Xangô. Airá é uma divindade da região de Savé muito embora não existam registros de iniciação para ele nessas terras, seu culto está restrito ao seu templo em Savé, Nigéria. No Brasil, sacerdotes desinformados e sem discernimento criam inúmeras lendas a seu respeito, até dizem que ele seria irmão gêmeo de Xangô, o que é verdadeiramente um absurdo.
Segundo as casas de culto ao orixá, este orixá veste-se de branco e tem profundas ligações com Oxalá. Airá não usa coroa, mas um eketé branco. Suas comidas votivas não são temperadas com dendê, nem com sal e sim com banha de ori africana. Comeria quiabos, assim como Xangô e Iroko.
Airá era um Orixá no fundamento de Xangô, Airá era considerado um de seus servos de confiança e segundo uma de suas lendas, Airá, tentou instaurar um atrito entre Oxalá e Xangô, graças a isso Airá deve ser tratado de forma diferente de Xangô e seu assentamento deve ficar na casa de Oxalá. Por essa rivalidade com Xangô, não se deve coloca-los juntos jamais na mesma casa nem podendo Airá ser posto em cima do pilão de duas bocas, pois provoca a ira de Xangô. Sua cor é o branco e seus ornamentos são prateados.
Airá é um Orixá relacionado a família do raio mas pode ser relacionado ao vento, seu nome pode ser traduzido como redemoinho, redemoinho é o fenômeno que mais se assemelha a um furacão em território Africano. Airá então pode ser louvado como a divindade que rege o encontro dos ventos. Em território africano, não existe registro ou relatos de pessoas regidas ou iniciadas para ele, onde ele é cultuado, o culto predominante é o de Nanã e de Obaluaiê, já que Savé é uma região que fica em território Jeje. Pouco se sabe sobre o nascimento ou surgimento de Airá e por esta razão muitos atribuem sua filiação à Iemanjá e a Oraniã, assim como Xangô e Aganjú.
No Brasil, Airá é visto, erroneamente, como uma qualidade de Xangô. Airá seria uma face mais amena e pacífica de Xangô. Hoje, com a falta de conhecimento, muitos zeladores preferem iniciar uma pessoas de Airá do que de Xangô, na realidade está cada vez mais difícil encontrarmos filhos de Xangô, em sua grande maioria, os filhos de Xangô estão sendo iniciados em outros Orixás.
Ao contrário de Xangô, Airá não é um Orixá rei nem possui o carácter, punitivo como Xangô. Este fato, pode ser evidenciado em uma de suas cantigas que diz: "A chuva de Airá apenas limpa e faz barulho como um tambor".
Airá zela pela paz e pela justiça de forma incondicional, ao contrário de Oxalá que representa a paz, Airá estabelece a paz e possui uma ação mais imediata em suas funções, Airá pode ser qualificado como um sentinela de Oxalá, ou melhor, de Oxalufã é seria ele quem estabelece sua vontade.
A tradição da Fogueira foi criada por associação ao santo Católico São João, pois na África este ato é inexistente.
Em alguns terreiros de candomblé algumas pessoas afirmam que Airá é uma das qualidades de Xangô. Ele costuma ser visto como uma face mais branda e calma do deus do fogo.

Pesquisa

"Em relação a Aira, obtive poucos detalhes na África. Em Kétou, ele é conhecido sob a designação de Agbonan ou Aira Igbonan. Dizem que é originário de Sabé (Savé*) e que é o irmão mais velho de Sango. "Quando estive em Savè o sacerdote encarregado de Igbóná (Airá Igbonã), Agoni Afesomu, acabava de morrer e não havia sido determinado seu sucessor. Diz que poucos detalhes sobre Airá conseguiu - Diz também que seu tempo principal ficava em Dassa-Zoumé em Vedji perto ao de Sanponná. Diz que que havia duas informações contraditórias - Uma dizia que ele originário da região de Eyo (Oyo), segundo outros de Abomé, onde era confundido com Sobô."